Ouço esse poema louco, de mim mesmo: Não o EU LÍRICO, mas o Eu autor.
Autor desse auto cuja personagem não sou eu.
Alguns versos me incomodam em 1ª pessoa, principalmente quando conjugado no
mais-que-perfeito. Como?! Se não há perfeição nesse texto mal acabado e sem final...
Se houvesse uma conclusão, um fim, não seria ele feliz... Nem perfeito.
Porque, para quem lê, não é possível saber o que não tem tradução:
se FELICIDADE ou se SAUDADE,
uma vez que ambas correm paralelas as linhas dessa prosa indiscreta.
Indiscreta. Indiscrição. Segredo revelado, descrito, "discrito",
discriminado, inscrito num músculo pulsante dentro, bem dentro do peito
ou impresso nos impulsos elétricos perdidos na memória.
Indiscreto por revelar essa fraqueza, esse vício que causa no leitor
a sensação do poeta e o coloca em sintonia com o Mundo.
Indiscreto por mostrar a alma de quem lê através das palavras de quem escreve,
que na verdade não são de ninguém: São verdades eternas que não precisam
que se digam ou escrevam para que existam e que alguém decidiu por no papel.
Alguém precisar entrar no meu poema... pra me ajudar a superar.
Chega de Buscar na 3ª pessoa do Singular o Verbo/substantivo que a
2ª pessoa nunca foi capaz de proporcionar ao EU que já nem sei quem SOU.
Clayton Guimarães
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