Meus chegados

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

POEMA DESREGRADO

Ouço esse poema louco, de mim mesmo: Não o EU LÍRICO, mas o Eu autor.
Autor desse auto cuja personagem não sou eu.
Alguns versos me incomodam em 1ª pessoa, principalmente quando conjugado no
mais-que-perfeito. Como?! Se não há perfeição nesse texto mal acabado e sem final...
Se houvesse uma conclusão, um fim, não seria ele feliz... Nem perfeito.
Porque, para quem lê, não é possível saber o que não tem tradução:
se FELICIDADE ou se SAUDADE,
uma vez que ambas correm paralelas as linhas dessa prosa indiscreta.

Indiscreta. Indiscrição. Segredo revelado, descrito, "discrito",
discriminado, inscrito num músculo pulsante dentro, bem dentro do peito
ou impresso nos impulsos elétricos perdidos na memória.
Indiscreto por revelar essa fraqueza, esse vício que causa no leitor
a sensação do poeta e o coloca em sintonia com o Mundo.
Indiscreto por mostrar a alma de quem lê através das palavras de quem escreve,
que na verdade não são de ninguém: São verdades eternas que não precisam
que se digam ou escrevam para que existam e que alguém decidiu por no papel.
Alguém precisar entrar no meu poema... pra me ajudar a superar.
Chega de Buscar na 3ª pessoa do Singular o Verbo/substantivo que a
2ª pessoa nunca foi capaz de proporcionar ao EU que já nem sei quem SOU.

Clayton Guimarães

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Homenagem a todos os que passaram pela melhor fase da minha vida... A Faculdade

Para todos que estão aqui hoje, e para os que não vieram, esse ano vai marcar nossas vidas como um ano de realização.

Seja para nós que já fomos 1º período, para quem começou agora, para outros da “gangue” que já são do 4º... O importante é que

fizemos amigos e, individualmente, fizemos parte um da história do outro. Por esse motivo estamos aqui: Para lembrar com alegria,

ironia, cada rosto, cada personalidade, cada diferença e particularidade...



Cada período é um novo período em nossas vidas, e do 1º sentimos nossas baixas: Rosa, Jaque, Renata... Mas fomos recompensados com novos amigos: Júlio, Tati, Ingrid... E esse foi “O” período. Teve de tudo!!



Teve gente que riu mais, gente que bebeu mais, gente que falou besteira. Teve gente que cresceu em conhecimento e nos quadris, gente que pegou, gente que foi pega, que bateu continência, que representou a turma, que deu carona, que colocou

nome no trabalho. Teve gente que deu aula pra prova mostrando amizade, teve gente braba, mas teve gente que parou de brigar.

Teve gente muda que continuou calada, teve gente que falou um monte de bobeira.



A libido esteve em alta esse período. Teve triangulo amoroso, teve rivalidade, teve pegação, teve flerte não correspondido,

teve gente se soltando aos poucos, teve beleza aflorando em seminário, teve marido em sala de aula, teve amigo a fim de amiga (mas amigo não morre!!) teve de tudo! Teve até o último virgem americano (diga-se de passagem, que não pegou ninguém!!).



Esse período revelou amigos de verdade e cada um com suas peculiaridades:



A “tiazona” amiga de todos, a sexy fatal, o militar, o nosso chofer orgulhoso de ser negão, teve o encontro de dois doidos, teve turista loira que sumiu de vez, gente que saiu mas não foi embora, gente que foi embora mas conti8nua no coração, gente que quase não aparece, mas está com a gente, gente que sumiu e parou de brigar contra a Estácio, teve gente sebosa se achando, teve bofe escândalo... Enfim, todos, nem que seja como alguém que não apareceu, foi lembrado.



Como não lembrar dos nossos mestres do período...? Teve gente que não soube ouvir o aluno, gente que não soube responder, gente que sabe mas faz jus ao estereótipo carioca malandro de ser, teve professor azarando, teve professor implacável, teve gente com microfone, teve um mestre que nos deu motivos para amar o Curso, teve um cara que conseguiu nos ensinar mais do que Língua Portuguesa, teve um cara que ama o que faz que nos deu dicas pra vida toda. O nosso muito obrigado a todos estes por suas contribuições.



Nosso sentimento é de expectativa para o próximo período. Que essa união perdure, pois é assim que queremos chegar até o fim.



Boas Festas para Geral!!!



Clayton Guimarães da Silva

(10/12/09)

quinta-feira, 12 de março de 2009

A Tribo dos Sonacirema

Todos sabem que eu não sou de colocar aqui textos que não são de minha autoria, mas ao ler este que segue abaixo, eu fiquei intrigado em como o ser humano pode fazer coisas repugnantes...
* * * * *
"A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é repugnante e que sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Encarcerado em tal corpo, a única esperança do homem é desviar estas características através do uso das poderosas influências do ritual e do cerimonial. Cada moradia tem um ou mais santuários devotados a este propósito. Os indivíduos mais poderosos desta sociedade têm muitos santuários em suas casas e, de fato, a alusão à opulência de uma casa, muito freqüentemente, é feita em termos do número de tais centros rituais que possua. Muitas casas são construções de madeira, toscamente pintadas, mas as câmeras de culto das mais ricas têm paredes de pedra. As famílias mais pobres imitam as ricas, aplicando placas de cerâmica às paredes de seu santuário.Embora cada família tenha pelo menos um de tais santuários, os rituais a eles associados não são cerimônias familiares, mas sim cerimônias privadas e secretas. Os ritos, normalmente, são discutidos apenas com as crianças e, neste caso, somente durante o período em que estão sendo iniciadas em seus mistérios. Eu pude, contudo, estabelecer contato suficiente com os nativos para examinar estes santuários e obter descrições dos rituais.O ponto focal do santuário é uma caixa ou cofre embutido na parede. Neste cofre são guardados os inúmeros encantamentos e poções mágicas sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. Tais preparados são conseguidos através de uma serie de profissionais especializados, os mais poderosos dos quais são os médicos-feiticeiros, cujo auxilio deve ser recompensado com dádivas substanciais. Contudo, os médicos-feiticeiros não fornecem a seus clientes as poções de cura; somente decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em sua linguagem antiga e secreta. Esta escrita é entendida apenas pelos médicos-feiticeiros e pelos ervatários, os quais, em troca de outra dadiva, providenciam o encantamento necessário. Os Nacirema não se desfazem do encantamento após seu uso, mas os colocam na caixa-de-encantamento do santuário doméstico. Como tais substâncias mágicas são especificas para certas doenças e as doenças do povo, reais ou imaginárias, são muitas, a caixa-de-encantamentos está geralmente a ponto de transbordar. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem quais são suas finalidades e temem usá-los de novo. Embora os nativos sejam muito vagos quanto a este aspecto, só podemos concluir que aquilo que os leva a conservar todas as velhas substâncias é a idéia de que sua presença na caixa-de-encantamentos, em frente à qual são efetuados os ritos corporais, irá, de alguma forma, proteger o adorador.Abaixo da caixa-de-encantamentos existe uma pequena pia batismal. Todos os dias cada membro da família, um após o outro, entra no santuário, inclina sua fronte ante a caixa-de-encantamentos, mistura diferentes tipos de águas sagradas na pia batismal e procede a um breve rito de ablução. As águas sagradas vêm do Templo da Água da comunidade, onde os sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro.Na hierarquia dos mágicos profissionais, logo abaixo dos médicos-feiticeiros no que diz respeito ao prestígio, estão os especialistas cuja designação pode ser traduzida por "sagrados-homens-da-boca". Os Nacirema têm um horror quase que patológico, e ao mesmo tempo fascinação, pela cavidade bucal, cujo estado acreditam ter uma influência sobre todas as relações sociais. Acreditam que, se não fosse pelos rituais bucais seus dentes cairiam, seus amigos os abandonariam e seus namorados os rejeitariam. Acreditam também na existência de uma forte relação entre as características orais e as morais: Existe, por exemplo, uma ablução ritual da boca para as crianças que se supõe aprimorar sua fibra moral.O ritual do corpo executado diariamente por cada Nacirema inclui um rito bucal. Apesar de serem tão escrupulosos no cuidado bucal, este rito envolve uma prática que choca o estrangeiro não iniciado, que só pode considerá-lo revoltante. Foi-me relatado que o ritual consiste na inserção de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca juntamente com certos pós mágicos, e em movimentá-lo então numa série de gestos altamente formalizados. Além do ritual bucal privado, as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano. Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos, consistindo de brocas, furadores, sondas e aguilhões. O uso destes objetos no exorcismo dos demônios bucais envolve, para o cliente, uma tortura ritual quase inacreditável. O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e, usando os instrumentos acima citados, alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos dentes. Nestas cavidades são colocadas substâncias mágicas. Caso não existam cavidades naturais nos dentes, grandes seções de um ou mais dentes são extirpadas para que a substância natural possa ser aplicada. Do ponto de vista do cliente, o propósito destas aplicações é tolher a degeneração e atrair amigos. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdote-da-boca ano após ano, não obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar."
* * * * *Agora que você leu tudo, o que eu aproveito para lhe parabenizar, eu gostaria de mostrar quem são os Sonacirema: leia ao contrário a palavra... Claramente, nós Sorielisarb, ou sendo mais ousado diria "nós, Sonamuh", também temos as mesmas práticas, mas no entanto deixamos de entender a verdade simplesmente pelo nosso preconceito e pelo nosso despreparo mental em analisar as coisas de outros pontos de vista senão o do nosso ego (ponto de vista este que encherga a nós mesmos como com mais razão que outras pessoas). O que geralmente para outros pode ser normal, para as pessoas com pensamentos egoístas e preconceituosos poderá sempre parecer esquisitice.Ah, e a coisa repugnante que eu falei, é justamente a de ser preconceituoso.

Favela Negreira

Esses dias, na rua, vi um rapaz usando uma camiseta com
um texto que me chamou a atenção. Dizia:
Antes senzala, hoje favela,
a luta continua!!
Fiquei pensando nisso e me lembrei
de um projeto em que trabalhei há alguns anos
sobre os Navios negreiros... Esse poema data desse época
mas como "nada do que foi será de novo como já foi um dia",
acho que o sentido continua o mesmo apesar de muita coisa
ter mudado....

Favela Negreira

Vede os céus tão negros, turbulentos
O vento furioso, impetuoso, violento
A chuva persistente, contínua, valente
Os raios aleatórios e frequentes.

Vede e contemple.

A pipa no céu cortada por um traçante
O arrastão cruel, a cola, o traficante
A necessidade, a realidade, a morte
O asfalto, o crime, a fuga lá pro alto

É esse o auto. O último ato.

Não lhes interessa somente homens:
O que tiver aí é mão de obra barata
Banidos da sociedade, sedentos como cães:
Pessoas, crianças, filhos... mães.

Que tristeza.

Clama o menino com a inocência roubada
Chora a mãe pela prole ceifada
Revolta-se o irmão: -Que injustiça! Cilada.
Morre o pai de dor. Mais uma família desgraçada.

Cotidiano da Família Negreira.

Que se esconde do que não pode combater.
Que não combate com medo de perder.
Que perde por ser considerada apenas mão de obra
e quase ninguém percebe a diferença

O Navio anuncia a partida e todos já sabem o seu lugar.
Seus olhos brilham. E, no labor da viagem sem fim,
mesclam-se raças e cores no convés,
ou no porão, não faz diferença: todos são mão de obra barata.
E a importância de cada um resume-se
às necessidades do imponente Navio Negreiro:
Seguir seu curso, sem jamais alterar sua rota:
Sempre em frente, passando sobre tudo e todos.
Afinal, a tripulação já aceita tudo com maior passividade.
Sem resistência, já não há como comprar sem se vender
e tudo acaba s emimetizando com o comum.

Deus, onde chegaram!!

Negros, brancos, pardos, cafuzos ou mamelucos:
Palavras, cores, raças que definem uma hierarquia
E o Navio vai indo: lindo, imponente, corta ondas e vence tempestades
Mas a peleja é dura. E caleja, aleija, dói...

Eles entregaram os chicotes em suas próprias mãos
Ó, escravos!! Ou encaram de frente a discriminação do asfalto
Ou fogem da brutalidade pra marginalidade lá do alto.
Eles ensinaram que lá em cima só existe isso mesmo.

E quem pode discordar? Eu posso!! -Cala a boca!!
É o que gritam para quem quiser falar
Nesse Navio Favela, ninguém tem alma ou sentimento
Ninguém pega no Leme, ninguém tem cor pra esse intento.

Quem é que os governa, então? Quem está na direção?
Não há ninguém pra responder? Quem está nesse Timão?
Esse Navio Favela, essa Favela Negreira, essa Favela Navio
Esse Navio Negreiro está à deriva: ao Deus dará.

Está afundando aos poucos nessa lama de desigualdade
De certa forma não seria melhor vê-lo afundar no mar?
No fim, não seriam só os realmente fortes a sobreviver?
E só sobrariam os que sempre tiveram que aprender na marra.

E quando tudo vira osso no fim de tudo,
não se distingue nenhuma diferença e, enfim,
todos enxergam o horizonte da mesma perspectiva.

--Clayton Guimarães

Perfume

"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim
e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."
--Antoine de St. Exupery

quarta-feira, 11 de março de 2009


Há momentos na vida em que se deveria calar e deixar que o silêncio falasse ao coração, pois há sentimentos que a linguagem não expressa e há emoções que as palavras não sabem traduzir.

Poema Ideal


Poema
ideal
é o
que
de cima para baixo e
de baixo para cima
quer dizer o mesmo
como este que
quer dizer o mesmo
de baixo para cima
de cima para baixo e
que
é o
ideal
poema.
--Luiz Fernando Veríssimo, 1978.