Eu escrevo. Palavras perdidas em linhas tortas.
Palavras do fundo do meu solitário coração.
Como a Lua num céu repleto de estrelas, assim é que me sinto.
Todos estão lá, mas parece que não sinto. O calor não me aquece.
É sempre vácuo e solidão.
Eu escrevo porque, fisicamente, não tenho asas. E ainda não sei voar.
Não fosse assim, eu vos pouparia essa resenha dos meus dias sem direção.
Eu voaria até cansar minhas asas e um pouco mais.
Até a dor me mostrar que estou vivo e faço parte de alguma coisa.
Eu escrevo. E as linhas se acertam com palavras retorcidas. Palavras bonitas
que não são de Amor. Palavras cheias de um enorme Vazio. Palavras que
refletem exatamente o que é estar só na multidão.
Tem gente que bebe. Tem gente que se droga. Outros autoflagelam-se.
Eu... Eu escrevo. E, quando escrevo, fico mais alegre, mais social,
mais eufórico, mais espontâneo... É o meu entorpecente...
Mas no fim... No fim do texto, do poema ou da canção, eu continuo lá:
Lambendo minhas feridas escondido entre um e outro sorriso.
Eu escrevo. Sobre mim. Sobre você. Sobre coisas comuns que acontecem com qualquer pessoa.
ESteja ela em 1ª, 2ª ou 3ª do singular ou plural...
Eu escrevo para impressionar, para mexer com a parte inerte do cérebro.
Eu escrevo. Sem pretensão, mas com a intenção de provocar... de revelar segredos.
A dor que parece minha, eu imito de quem lê. E escrevo sem saber de onde partiu a inspiração:
Se do autor ou do leitor, já que a distância entre ambos é a milimétrica espessura do papel. E não importa de que lado da folha esteja, sempre serão o reflexo das palavras descritas nela.
Eu escrevo. E POR ISSO escrevo.
Clayton Guimarães
Um comentário:
Tão lindo! Fico tão orgulhosa ao ler essas palavras! TE amo muito!
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