Eu-Lírico de uma história sem final cujas páginas são escritas a cada instante. Sem previsões. Sem regras. Sem modelos preestabelecidos. Carta única endereçada ao mundo que já não faz sentido. Clayton Guimarães
Meus chegados
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
No Mercado
Sinto vontade dos tempos da Adolescência, Quando sentia saudades da maioridade que não vinha... De me esconder nos dias despreocupados de verão, ou de quando a timidez e a insegurança tornavam a vida mais emocionante. Quando a rejeição me ensinava a aprimorar minhas técnicas de conquista. Quando as conquistas valiam mais e toques significavam sonhos e beijos eram o prêmio máximo...
Quando olhares falavam e sorrisos respondiam e palavras nem precisavam ser ditas... Quando cheiros entorpeciam almas e timbres de voz aceleravam o coração. Nostalgia de toda aquela imprevisibilidade, da inconstância, da miscelânea de sensações, da expectativa que acaba esmaecendo com o tempo...
E agora, que sei conquistar, que domino meus sentimentos (e, talvez, os alheios), agora que manipulo palavras e provoco sensações, agora que arranco suspiros, agora que planejo toques, elaboro beijos, direciono olhares e meço sorrisos, Já não valem tanto assim as conquistas... E, na maioria das vezes, sequer me permito ser conquistado: A Arte é minha. E isso Condiciona minha Nobre (ou pobre) alma ao frio da solidão. Não de condição, mas de estado: fria, mórbida...
Nesse monólogo de mim mesmo para um EU, que de Lírico tudo já perdeu, percebo essa solidão e comemoro a consciência de que estou só. Não porque não haja alguém, mas porque ninguém se enquadra nessa minha moldura disforme de estar só. E os quadros de rostos que pinto das pessoas que sonhava que me fizessem feliz amontoam-se em pilhas de rascunhos imperfeitos e telas de relacionamentos interrompidos, inacabados pela urgência de qualquer coisa menos importante a que demos maior atenção.
Decido parar por aqui pra observar pessoas. Sentado em um banco de Mercado em Copacabana, esperando meu Gerente chegar. Escrevo em meu velho caderno, de folhas recicladas,palavras repetidas de algo que já quis dizer. Se falaram de amor, hoje clamam por ele, se já desenharam sentimentos, hoje rabiscam expectativas. Esse, então, sou EU depois dos tantos ELAS que não se perpetuaram como NÓS. Mas eu sigo acreditando...
Clayton Guimarães
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2 comentários:
A saudade é prova que o passado valeu apena. O que passou, passou, mão volta mais! O que fica são as lembranças do que realmente valeu apena. E se tivesse a oportunidade de voltar no tempo teria feito tudo exatamente da nesna forma. Pois se estou hoje aqui, foi por ter percorido o caminho que eu mesmo escolhi. Pois certamente que, se tivesse escolhido outro caminho a seguir, seria conduzida a um outro quadro de vida. Cada caminho te leva a um lugar, mas é vc quem decide one quer chegar!
A busca de EU que não existe mais por ter adquirido o jeito certo da conquista,porém o jeito errado de lidar com elas. Se apegou ao charme do dom Ruam, entretanto se esqueceu do valor da simplicidade de um pequeno gesto que significa muito. Se esqueceu de um detale importante, se esqueceu dos seus sentimentos..!
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