Eu-Lírico de uma história sem final cujas páginas são escritas a cada instante. Sem previsões. Sem regras. Sem modelos preestabelecidos. Carta única endereçada ao mundo que já não faz sentido. Clayton Guimarães
Meus chegados
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Garoa
Preparei um ramalhete de palavras sinceras. Com o coração cheio de expectativas. Mandei que lhe beijasse a face uma brisa outonal de fim de Março. Perfumei-a com meus carinhos, doces carícias e sensações. Quero que te encontre fresca de um banho, os cabelos enrolados em turbante, seminua em calcinha de algodão. Quero que se assuste com a lufada de desejo que entrar pela janela de madeira antiga. Quero que sorria ao reconhecer-me em cada vírgula, em cada metáfora ou anáfora, em cada hiperbólica descrição de ti. Quero bochechas coradas e coração acelerado. Quero mão na nuca e beijo no pescoço. O eriçar dos teus pêlos. Quero olho no olho. Não quero violência, mas quero força. E quando me leres nesse buquê especial, te lembres das coisas que ainda não vivemos e te inspire os beijos que ficaram pela metade na vontade dos seus abraços.
Quero que mandes de volta um sorriso teu, em asas de passarinho. Então (e só então!) saberei que não foram em vão minhas canções solfejadas em Si, improvisadas para te encantar. Saberei que as notas que usei foram inspiradas pela ânsia da sua presença. E, assim, espero na janela, sentindo vindo de longe o cheiro único de terra molhada. Esperava pôr do sol. Me respondeste com garoa.
Clayton Guimarães
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