Meus chegados

domingo, 25 de novembro de 2012

Liberdade


Não sei se finjo ser romântico
Ou se me permito ser erótico
Meu discurso tão cético, tão cínico
Real... É o que sinto sem diagnóstico.

Essas rimas, esses metros, esses versos
Aprisionando minha filosofia simplória.
Definindo, explicando, explanando, limitando
O que eu quis que fosse Nuvem.

Palavras que não posso medir,
Sensações que não posso expressar
Decassílabos loucos que nunca contei.

Chegando ao fim do Soneto
Do Poema ou coisa tal,
Sinto-me ainda mais Livre do que normal.

Clayton Guimarães

sábado, 3 de novembro de 2012

Infinito

E o que é você sem mim?
Sentimentos coloridos,
Cheiros de Jasmim.
E doce.
Como a brisa.
E leve. Me leve.
E não me deixe.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Mistos.Mesclados. Riscados.
Em uma folha em branco.
Num banco sem graça.
De alguma Praça.
Em tempos de Primavera.
Quimera.
Flores e insetos coloridos.
Desinibidos.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Caracol.
Abelha.
Amarelos sóis.
Coração aquecido.
Nós.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Cada tom. Tão bom.
O gosto bom do seu batom.
Então?
O fim.
Sim. Assim:
Eu sem você e você sem mim.
Ou o que restou de nós?!
Eu sem você e você sem mim.
Sim.
Assim: O fim.
Então?
O gosto bom do seu batom.
Tão bom. Cada tom.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Coração aquecido.
Nós.
Abelha.
Amarelos sóis.
Caracol.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Desinibidos.
Flores e insetos coloridos.
Quimera.
Em tempos de Primavera.
De alguma Praça.
Sem graça.
Num banco.
Em uma folha em branco.
Mistos.
Mesclados.
Riscados.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Me leve.
E não me deixe.
E leve. Como a brisa.
E doce.
Cheiros de Jasmim Sentimentos coloridos.
E o que é você sem mim?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Perspectiva

Não pretendo ser notado, quero apenas nunca ser esquecido. Quero cantar minhas ideias pelas ruas e libertar meu coração. Quero ler a vida simples. O casal de namorados no frio, a vida eterna na espera do sinal abrir. As crianças uniformizadas. Os carros novos, velhos, abertos, fechados, grandes... pequenas fortalezas móveis. Quero capturar esse recorte de presente e registrá-lo antes que se torne ontem, eternizá-lo em prosa e verso. A topada no meio fio, a pedra no meio do caminho, o palavrão, os santinhos e os candidatos: "Não, obrigado!". E lembrar de algo e rir sozinho, lembrar de uma voz e sentir o coração disparar, lembrar uma canção e perceber que é a nossa história que ela conta... Lembrar de uma mulher, da inocência e de uma poesia... condensar tudo em uma memória escondida nos escombros da realidade que desconstruo... E depois de cantar, e ler, e capturar e lembrar coisas, enfim, construir pensamentos. Sentir a vida a cada instante e não permitir que passe desapercebida. Confeccionar cada segundo com o improviso despretensioso de alguém que sabe exatamente como não se ocupar do que ainda não aconteceu. Imprecisar fatos, desnecessitar de scripts, inimitar moldes e desidentificar meus atos. Não ter compromisso com estereótipos, nem ser escravo de um rótulo. Não sou poeta, não faço parte da História, eu escrevo estórias. Não me encaixo em nenhum movimento e não sigo tendências. Não quero nem ser lembrado. Quero apenas nunca ser esquecido. Não defino nem defendo teses, eu sirvo à Felicidade e prezo a Liberdade. Escrevo minhas páginas, movimentos pensamentos e gero atitudes. Crio minha realidade, o meu estilo. E é só isso que quero. Ser Livre pra continuar criando a cada dia meu hoje e, sem layouts, esperar o momento exato para escrever o episódio seguinte. Sem continuações, uma fotografia única de existir. Como a paisagem que passa borrada na janela do automóvel. Ela está lá: ESTÁTICA, mas a vemos passar a 80Km/h. Clayton Guimarães.

No Mercado

Sinto vontade dos tempos da Adolescência, Quando sentia saudades da maioridade que não vinha... De me esconder nos dias despreocupados de verão, ou de quando a timidez e a insegurança tornavam a vida mais emocionante. Quando a rejeição me ensinava a aprimorar minhas técnicas de conquista. Quando as conquistas valiam mais e toques significavam sonhos e beijos eram o prêmio máximo... Quando olhares falavam e sorrisos respondiam e palavras nem precisavam ser ditas... Quando cheiros entorpeciam almas e timbres de voz aceleravam o coração. Nostalgia de toda aquela imprevisibilidade, da inconstância, da miscelânea de sensações, da expectativa que acaba esmaecendo com o tempo... E agora, que sei conquistar, que domino meus sentimentos (e, talvez, os alheios), agora que manipulo palavras e provoco sensações, agora que arranco suspiros, agora que planejo toques, elaboro beijos, direciono olhares e meço sorrisos, Já não valem tanto assim as conquistas... E, na maioria das vezes, sequer me permito ser conquistado: A Arte é minha. E isso Condiciona minha Nobre (ou pobre) alma ao frio da solidão. Não de condição, mas de estado: fria, mórbida... Nesse monólogo de mim mesmo para um EU, que de Lírico tudo já perdeu, percebo essa solidão e comemoro a consciência de que estou só. Não porque não haja alguém, mas porque ninguém se enquadra nessa minha moldura disforme de estar só. E os quadros de rostos que pinto das pessoas que sonhava que me fizessem feliz amontoam-se em pilhas de rascunhos imperfeitos e telas de relacionamentos interrompidos, inacabados pela urgência de qualquer coisa menos importante a que demos maior atenção. Decido parar por aqui pra observar pessoas. Sentado em um banco de Mercado em Copacabana, esperando meu Gerente chegar. Escrevo em meu velho caderno, de folhas recicladas,palavras repetidas de algo que já quis dizer. Se falaram de amor, hoje clamam por ele, se já desenharam sentimentos, hoje rabiscam expectativas. Esse, então, sou EU depois dos tantos ELAS que não se perpetuaram como NÓS. Mas eu sigo acreditando... Clayton Guimarães

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Escolha

Vejo a linha do horizonte se aproximando velozmente. O futuro começou. Não tenho dúvidas e um sorriso aberto suaviza as marcas no meu rosto. Finalmente, tudo faz sentido. Um ciclo se rompeu, moveram-se as estrelas em alguma Galáxia. Cadente, minha soberba desaparece pra dar lugar à sede de um conhecimento há muito desejado. As coisas sempre se ajeitam após a tempestade. Após o terremoto todas as coisas encontram seus lugares. As flores renascem, brotam dos escombros de um passado revolvido. Não sei ao certo quanto tempo levará o coração pra esquecer, mas o cérebro já busca toda aquela história como lembrança... nunca como esperança... As portas se abrem pra um novo começo, em direção oposta. Uma reavaliação acusa um novo Homem que nasce da responsabilidade. Que grita. Grita meu nome e aponta algumas escolhas. Finalmente, e só então, decido entender que o que acabou, acabou. A perda é incalculável... Momentos, palavras, gestos atitudes, pessoas... vidas. Uma vida. Mas quando algo morre, dá lugar à coisas vivas que nos dão novos motivos pra continuar. E é isso o que enxergo hoje: coisas vivas substituindo coisas mortas que me matavam enquanto morriam. Tanto tempo divagando e já não vejo o horizonte: coisas grandes elevam-se à minha frente... Construções e coisas a construir... E sinto força em meus braços novamente. Clayton Guimarães

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cartazista da Zona Sul (2009)

Hoje, meu nobre coração bate descompassado. Algum motivo, do qual não me recordo precisamente, me faz olhar essa manhã com olhos diferentes. Não posso distinguir imagens ou figuras, apenas fragmentos de instantes inesquecíveis pelos quais passei. Queria conversar, tocar umas canções da Legião, sentir o vento soprar pra longe nossas letras e perpetuar também esse momento. Aqui, sentado nesta sala do meu trabalho escrevendo coisas das quais meu coração transborda, sinto saudade. E saudade só tem significado pra quem sente, só tem sentido pra nós. Tentei escrever planos e traçar metas, mas estou vivendo mais esse momento como sempre encarei a vida: Fazendo acontecer. Sem regras nem leis. Transformando cada instante em uma nova oportunidade de acertar, ainda que eu erre.

Olhos Cor-de-mar (2009)

Pela transparência da tua personalidade eu tento... tento e não consigo desvendar os mistérios desse olhar bravio como o mar, nebuloso como o céu e Azul... E o que vejo me confunde e me pergunto por que algo que estão tão próximo que quase posso tocar o cheiro me parece tão inalcançável... Ah se fosse tão simples...