Eu-Lírico de uma história sem final cujas páginas são escritas a cada instante. Sem previsões. Sem regras. Sem modelos preestabelecidos. Carta única endereçada ao mundo que já não faz sentido. Clayton Guimarães
Meus chegados
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Hoje no café da manhã, fui obrigado a engolir junto com meu pão de cada dia a notícia de que começa Oficialmente a temporada de Carnaval 2013. Engasguei. No goto, atravessada a ideia de que não pode haver espaço para o povo pensar. Pão e Circo contínuo. Entretenimento programado, mídia das multidões. Dia disso, dia daquilo. Black Friday. Natal. Revèillon. Ceia. Consumismo desenfreado. Descarte. Obsolescência programada. Ignorância. Caos. Carnaval. Samba. Bunda e feriado.
Enquanto tentava fazer descer goela abaixo a realidade do meu povo, percebi, eufórico, um folião precoce na mesa ao lado. Recordei-me de um post no Facebook que abria a contagem: 14 semanas para o Carnaval. Mas, espera! Não é nem Natal!! É contagioso. Ninguém replaneja a vida, calcula expectativas ou faz um balanço do ano que se foi. Como um comboio empurrado, conduzido pela mídia de massa, as pessoas aceitam, compram, pedem emprestado, e vestem a proposta de continuar no mesmo nível, na mesma condição de Consumidores cegos... engordando bolsos e contas de quem diz o que está na moda, o que é tendência e o que vende mais.
Triste perceber a facilidade que o povo tem de se manter distraído, de se vender e de aceitar a velha troca de presentes, na qual uma das partes sempre sai beneficiada e a outra enganada. E dispersa. Entretida. Na frente da TV. Emendam o fim de uma novela com outra, o fim do Brasileiro com os Estaduais, o fim de Malhação com uma nova e o povo não tem tempo para refletir, pensar, ponderar, tecer ideias, pois a hora do Noticiário é o intervalo: a hora de respirar, de ir ao banheiro, comer algo e voltar a tempo pra “das sete”, “das oito” ou “das nove, tanto faz. Considerar, compreender, concluir... Pra quê?? Apenas Pão e Circo. Para você acreditar que vai salvar alguém do programa. Pra te dar a sensação de que fez a sua parte e que está participando de algo. Sim está! Com R$0,31 + impostos. Milhões de brasileiros. Todos por um Ídolo, um Astro mirim, uma voz... não!! Todos contribuindo para a alienação e participando ativamente para a manutenção de poder das grandes redes de Mídia.
Terminei meu café com leite, desliguei a TV e fui trabalhar. Passei a manhã inteira remoendo tudo isso e resolvi compartilhar. Não espero nada com isso, mas precisava dizer. E, se eu falhar em ter tentado mudar pelo menos alguns hábitos MEUS, que contribuam de certa forma para quebrar esse processo esquematizado de manipulação, já terei alcançado um grande objetivo.
Clayton Guimarães.
Crescer
Às vezes, precisamos fazer um balanço de nossas vidas, chacoalhar a frondosa árvore. Calcular conquistas, considerar perdas e replanejar. Ouvi algo esses dias que me fez pensar nisso. Ouvi dizer que descarto pessoas. Mas, na verdade, quando mudamos coisas de lugar, abrimos novos espaços e acabamos por nos livrar do que não usamos ou do que temos apenas por conveniência. E eu mudo bastante. E não aceito algumas coisas nessa nova perspectiva. E, como cansei de ser contundente demais, ignoro algumas coisas e algumas pessoas.
Sempre falamos em “o que ser quando crescer”, mas quando crescemos, muitas vezes nos perdemos e não sabemos mais quem somos ou o que nos tornamos. Mas a busca não pode parar. Nunca. Imagine-se há dez anos. Leia atitudes, erros, acertos... Se a maioria deles se repete, algo pode estar errado. Não confunda Displicência e irresponsabilidade com Personalidade. E a vida cobra duro. Se você continuar vivendo como um rockeiro adolescente dos anos 90 nas rodas da vida, irá acabar em situações em que olhará ao redor e só verá copos vazios, garotas sem reflexo e uma enorme Larica. Porque todo homem precisa construir coisas... Uma casa, uma máquina, um lar... Todo homem precisa conquistar coisas... Uma mulher, um emprego, uma carreira, um coração...
Mas enquanto se depende de outras pessoas para organizar, administrar e instituir valores, sempre estará à margem do que quer dizer a palavra HOMEM em seu sentido pleno. Os anos errando e acertando me ensinaram que enquanto eu quiser agir como adolescente, jamais galgarei posto de homem. Nesse ínterim, já não sou eu quem descarto pessoas, elas é que já não se enquadram mais na minha realidade, e como já não têm tanto espaço, acabam tornando-se obsoletas e descartáveis para dar lugar a pessoas e coisas mais úteis.
Clayton Guimarães.
Sempre falamos em “o que ser quando crescer”, mas quando crescemos, muitas vezes nos perdemos e não sabemos mais quem somos ou o que nos tornamos. Mas a busca não pode parar. Nunca. Imagine-se há dez anos. Leia atitudes, erros, acertos... Se a maioria deles se repete, algo pode estar errado. Não confunda Displicência e irresponsabilidade com Personalidade. E a vida cobra duro. Se você continuar vivendo como um rockeiro adolescente dos anos 90 nas rodas da vida, irá acabar em situações em que olhará ao redor e só verá copos vazios, garotas sem reflexo e uma enorme Larica. Porque todo homem precisa construir coisas... Uma casa, uma máquina, um lar... Todo homem precisa conquistar coisas... Uma mulher, um emprego, uma carreira, um coração...
Mas enquanto se depende de outras pessoas para organizar, administrar e instituir valores, sempre estará à margem do que quer dizer a palavra HOMEM em seu sentido pleno. Os anos errando e acertando me ensinaram que enquanto eu quiser agir como adolescente, jamais galgarei posto de homem. Nesse ínterim, já não sou eu quem descarto pessoas, elas é que já não se enquadram mais na minha realidade, e como já não têm tanto espaço, acabam tornando-se obsoletas e descartáveis para dar lugar a pessoas e coisas mais úteis.
Clayton Guimarães.
domingo, 25 de novembro de 2012
Constante
Do pôr de um sol que não raiou
A semente que não germinou.
Remoendo fraquezas e acreditando.
Tantas incertezas, mais certa tristeza.
Como das ondas, ressaca, você vem e volta
E, mesmo não sendo rocha, constante.
O intermitente bate e choca
Enfraquece a linha tênue da sanidade
Em um segundo inteiro me lembro de você
E sonho com a eternidade de tudo de que não esqueci
E que vivemos, intensamente, com toda a vida
Mas agora não passam de escombros na memória.
Clayton Guimarães
Liberdade
Não sei se finjo ser romântico
Ou se me permito ser erótico
Meu discurso tão cético, tão cínico
Real... É o que sinto sem diagnóstico.
Essas rimas, esses metros, esses versos
Aprisionando minha filosofia simplória.
Definindo, explicando, explanando, limitando
O que eu quis que fosse Nuvem.
Palavras que não posso medir,
Sensações que não posso expressar
Decassílabos loucos que nunca contei.
Chegando ao fim do Soneto
Do Poema ou coisa tal,
Sinto-me ainda mais Livre do que normal.
Clayton Guimarães
sábado, 3 de novembro de 2012
Infinito
E o que é você sem mim?
Sentimentos coloridos,
Cheiros de Jasmim.
E doce.
Como a brisa.
E leve. Me leve.
E não me deixe.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Mistos.Mesclados. Riscados.
Em uma folha em branco.
Num banco sem graça.
De alguma Praça.
Em tempos de Primavera.
Quimera.
Flores e insetos coloridos.
Desinibidos.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Caracol.
Abelha.
Amarelos sóis.
Coração aquecido.
Nós.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Cada tom. Tão bom.
O gosto bom do seu batom.
Então?
O fim.
Sim. Assim:
Eu sem você e você sem mim.
Ou o que restou de nós?!
Eu sem você e você sem mim.
Sim.
Assim: O fim.
Então?
O gosto bom do seu batom.
Tão bom. Cada tom.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Coração aquecido.
Nós.
Abelha.
Amarelos sóis.
Caracol.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Desinibidos.
Flores e insetos coloridos.
Quimera.
Em tempos de Primavera.
De alguma Praça.
Sem graça.
Num banco.
Em uma folha em branco.
Mistos.
Mesclados.
Riscados.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Me leve.
E não me deixe.
E leve. Como a brisa.
E doce.
Cheiros de Jasmim Sentimentos coloridos.
E o que é você sem mim?
Sentimentos coloridos,
Cheiros de Jasmim.
E doce.
Como a brisa.
E leve. Me leve.
E não me deixe.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Mistos.Mesclados. Riscados.
Em uma folha em branco.
Num banco sem graça.
De alguma Praça.
Em tempos de Primavera.
Quimera.
Flores e insetos coloridos.
Desinibidos.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Caracol.
Abelha.
Amarelos sóis.
Coração aquecido.
Nós.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Cada tom. Tão bom.
O gosto bom do seu batom.
Então?
O fim.
Sim. Assim:
Eu sem você e você sem mim.
Ou o que restou de nós?!
Eu sem você e você sem mim.
Sim.
Assim: O fim.
Então?
O gosto bom do seu batom.
Tão bom. Cada tom.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Coração aquecido.
Nós.
Abelha.
Amarelos sóis.
Caracol.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Desinibidos.
Flores e insetos coloridos.
Quimera.
Em tempos de Primavera.
De alguma Praça.
Sem graça.
Num banco.
Em uma folha em branco.
Mistos.
Mesclados.
Riscados.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Me leve.
E não me deixe.
E leve. Como a brisa.
E doce.
Cheiros de Jasmim Sentimentos coloridos.
E o que é você sem mim?
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Perspectiva
Não pretendo ser notado, quero apenas nunca ser esquecido. Quero cantar minhas ideias pelas ruas e libertar meu coração. Quero ler a vida simples. O casal de namorados no frio, a vida eterna na espera do sinal abrir. As crianças uniformizadas. Os carros novos, velhos, abertos, fechados, grandes... pequenas fortalezas móveis.
Quero capturar esse recorte de presente e registrá-lo antes que se torne ontem, eternizá-lo em prosa e verso. A topada no meio fio, a pedra no meio do caminho, o palavrão, os santinhos e os candidatos: "Não, obrigado!".
E lembrar de algo e rir sozinho, lembrar de uma voz e sentir o coração disparar, lembrar uma canção e perceber que é a nossa história que ela conta... Lembrar de uma mulher, da inocência e de uma poesia... condensar tudo em uma memória escondida nos escombros da realidade que desconstruo...
E depois de cantar, e ler, e capturar e lembrar coisas, enfim, construir pensamentos. Sentir a vida a cada instante e não permitir que passe desapercebida. Confeccionar cada segundo com o improviso despretensioso de alguém que sabe exatamente como não se ocupar do que ainda não aconteceu. Imprecisar fatos, desnecessitar de scripts, inimitar moldes e desidentificar meus atos. Não ter compromisso com estereótipos, nem ser escravo de um rótulo. Não sou poeta, não faço parte da História, eu escrevo estórias. Não me encaixo em nenhum movimento e não sigo tendências.
Não quero nem ser lembrado. Quero apenas nunca ser esquecido. Não defino nem defendo teses, eu sirvo à Felicidade e prezo a Liberdade. Escrevo minhas páginas, movimentos pensamentos e gero atitudes. Crio minha realidade, o meu estilo. E é só isso que quero. Ser Livre pra continuar criando a cada dia meu hoje e, sem layouts, esperar o momento exato para escrever o episódio seguinte. Sem continuações, uma fotografia única de existir. Como a paisagem que passa borrada na janela do automóvel. Ela está lá: ESTÁTICA, mas a vemos passar a 80Km/h.
Clayton Guimarães.
No Mercado
Sinto vontade dos tempos da Adolescência, Quando sentia saudades da maioridade que não vinha... De me esconder nos dias despreocupados de verão, ou de quando a timidez e a insegurança tornavam a vida mais emocionante. Quando a rejeição me ensinava a aprimorar minhas técnicas de conquista. Quando as conquistas valiam mais e toques significavam sonhos e beijos eram o prêmio máximo...
Quando olhares falavam e sorrisos respondiam e palavras nem precisavam ser ditas... Quando cheiros entorpeciam almas e timbres de voz aceleravam o coração. Nostalgia de toda aquela imprevisibilidade, da inconstância, da miscelânea de sensações, da expectativa que acaba esmaecendo com o tempo...
E agora, que sei conquistar, que domino meus sentimentos (e, talvez, os alheios), agora que manipulo palavras e provoco sensações, agora que arranco suspiros, agora que planejo toques, elaboro beijos, direciono olhares e meço sorrisos, Já não valem tanto assim as conquistas... E, na maioria das vezes, sequer me permito ser conquistado: A Arte é minha. E isso Condiciona minha Nobre (ou pobre) alma ao frio da solidão. Não de condição, mas de estado: fria, mórbida...
Nesse monólogo de mim mesmo para um EU, que de Lírico tudo já perdeu, percebo essa solidão e comemoro a consciência de que estou só. Não porque não haja alguém, mas porque ninguém se enquadra nessa minha moldura disforme de estar só. E os quadros de rostos que pinto das pessoas que sonhava que me fizessem feliz amontoam-se em pilhas de rascunhos imperfeitos e telas de relacionamentos interrompidos, inacabados pela urgência de qualquer coisa menos importante a que demos maior atenção.
Decido parar por aqui pra observar pessoas. Sentado em um banco de Mercado em Copacabana, esperando meu Gerente chegar. Escrevo em meu velho caderno, de folhas recicladas,palavras repetidas de algo que já quis dizer. Se falaram de amor, hoje clamam por ele, se já desenharam sentimentos, hoje rabiscam expectativas. Esse, então, sou EU depois dos tantos ELAS que não se perpetuaram como NÓS. Mas eu sigo acreditando...
Clayton Guimarães
Assinar:
Postagens (Atom)



