Meus chegados

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Garoa



Preparei um ramalhete de palavras sinceras. Com o coração cheio de expectativas. Mandei que lhe beijasse a face uma brisa outonal de fim de Março. Perfumei-a com meus carinhos, doces carícias e sensações. Quero que te encontre fresca de um banho, os cabelos enrolados em turbante, seminua em calcinha de algodão. Quero que se assuste com a lufada de desejo que entrar pela janela de madeira antiga. Quero que sorria ao reconhecer-me em cada vírgula, em cada metáfora ou anáfora, em cada hiperbólica descrição de ti. Quero bochechas coradas e coração acelerado. Quero mão na nuca e beijo no pescoço. O eriçar dos teus pêlos. Quero olho no olho. Não quero violência, mas quero força. E quando me leres nesse buquê especial, te lembres das coisas que ainda não vivemos e te inspire os beijos que ficaram pela metade na vontade dos seus abraços.
Quero que mandes de volta um sorriso teu, em asas de passarinho. Então (e só então!) saberei que não foram em vão minhas canções solfejadas em Si, improvisadas para te encantar. Saberei que as notas que usei foram inspiradas pela ânsia da sua presença. E, assim, espero na janela, sentindo vindo de longe o cheiro único de terra molhada. Esperava pôr do sol. Me respondeste com garoa.

Clayton Guimarães

domingo, 16 de dezembro de 2012

Leitura


Quero intensidade. Uma vida Pulsante e adrenalina. Quero sentir cada instante em câmera lenta. Fazer de cada volta do relógio um oportunidade de mudar tudo. Preencher cada espaço entre o tique e o taque de forma que seja inesquecível. Quero você. Tão minha quanto puder ser. Afável, amável, amante, cúmplice... Com seu sorriso tímido ou com suas unhas cravadas em minha carne. Com sussurros de amor ou gemidos de prazer. Com beijos cálidos ou com toda a força do desejo que nos corta, nos entorta, nos arrebata, nos enverga... tamanha força e volúpia.
Colocar a cabeça pra fora da vida conversível e se sentir livre. Cantarolar uma canção sobre algum pôr de sol e terminar mais um texto que diz mais sobre mim do que eu gostaria. Que me lê e me descreve. Que me imita e, de tão perfeito, me irrita. Me identifica, mas não me limita. Pois quando eu terminar mais essa carta de mim, terei mudado e quererei ser ainda mais único do que quis quando comecei. Quero ser constante.

Clayton Guimarães.

Solta

Vá, sorriso meu,
Beijar a flor do rosto teu.
Corar maçãs, enrubescer
E florear um dia assim
Com seu cheiro ou de Jasmim.

E como a brisa, beijo meu,
Vá levemente lhe encontrar.
Tocar acordes de amor
Com harmonia dissonante
Fazer teu peito ofegar.

E no bater de asas, livre, das palavras
Descrever teu rosto lindo de mulher
Natural, faceira, espécime selvagem
Que exala vida e transborda sensualidade.

Vai e volta nesses tons e prove seu sabor.
Me traga, divinos e doces favos de mel
A beleza do teu corpo, esguio sob um fino véu
Escondendo, translúcido, todo o poder que tens.

Clayton Guimarães.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Corpo e Alma


Nus. Corpo e alma. E nas curvas sinuosas do corpo que se toca, poder sentir nuances da alma que se desvenda. Mistérios perdidos do desenho do colo e segredos escondidos no caminho entre o umbigo e o monte de Vênus. Indecifráveis. Sentir sem querer. Querer sem controle. Os corpos produzem substâncias estranhas que provocam sensações geradas na alma. O seio perfeito, em forma de pêra, solto, livre, desafiador... Que ao toque de luz, irradia a micropenugem doirada que fascina... endoidece e aguça o paladar. E dança. Movimentos lentos, naturais... mas carregados com sua sensualidade... ao som de nenhuma canção. Segue os passos livres de seu próprio destino e reverencia a liberdade. Causa frenesi, desejo... Provoca. No seu ritmo. Joga os cabelos como que pra seduzir a vida e espantar os maus olhares. Sabe o que faz. Quer que estranhem. Quer que sintam libido, inveja, orgulho... Quer que vejam e que reproduzam... Quer que se libertem... Como um espírito da Floresta, mistura-se à vida, ao ar, aos cheiros, às cores e aos sons... Se torna a terra molhada e faz germinar a esperança. Torna-se vento e tempestade...e brisa para espalhar o amor... Disfarçada de mulher, dança, encanta, atua uma cena de improviso. Briga, bate e grita. Seduz. Com seu corpo e sua alma livres. Nus.
Clayton Guimarães.

Hoje no café da manhã, fui obrigado a engolir junto com meu pão de cada dia a notícia de que começa Oficialmente a temporada de Carnaval 2013. Engasguei. No goto, atravessada a ideia de que não pode haver espaço para o povo pensar. Pão e Circo contínuo. Entretenimento programado, mídia das multidões. Dia disso, dia daquilo. Black Friday. Natal. Revèillon. Ceia. Consumismo desenfreado. Descarte. Obsolescência programada. Ignorância. Caos. Carnaval. Samba. Bunda e feriado.
Enquanto tentava fazer descer goela abaixo a realidade do meu povo, percebi, eufórico, um folião precoce na mesa ao lado. Recordei-me de um post no Facebook que abria a contagem: 14 semanas para o Carnaval. Mas, espera! Não é nem Natal!! É contagioso. Ninguém replaneja a vida, calcula expectativas ou faz um balanço do ano que se foi. Como um comboio empurrado, conduzido pela mídia de massa, as pessoas aceitam, compram, pedem emprestado, e vestem a proposta de continuar no mesmo nível, na mesma condição de Consumidores cegos... engordando bolsos e contas de quem diz o que está na moda, o que é tendência e o que vende mais.
Triste perceber a facilidade que o povo tem de se manter distraído, de se vender e de aceitar a velha troca de presentes, na qual uma das partes sempre sai beneficiada e a outra enganada. E dispersa. Entretida. Na frente da TV. Emendam o fim de uma novela com outra, o fim do Brasileiro com os Estaduais, o fim de Malhação com uma nova e o povo não tem tempo para refletir, pensar, ponderar, tecer ideias, pois a hora do Noticiário é o intervalo: a hora de respirar, de ir ao banheiro, comer algo e voltar a tempo pra “das sete”, “das oito” ou “das nove, tanto faz. Considerar, compreender, concluir... Pra quê?? Apenas Pão e Circo. Para você acreditar que vai salvar alguém do programa. Pra te dar a sensação de que fez a sua parte e que está participando de algo. Sim está! Com R$0,31 + impostos. Milhões de brasileiros. Todos por um Ídolo, um Astro mirim, uma voz... não!! Todos contribuindo para a alienação e participando ativamente para a manutenção de poder das grandes redes de Mídia.
Terminei meu café com leite, desliguei a TV e fui trabalhar. Passei a manhã inteira remoendo tudo isso e resolvi compartilhar. Não espero nada com isso, mas precisava dizer. E, se eu falhar em ter tentado mudar pelo menos alguns hábitos MEUS, que contribuam de certa forma para quebrar esse processo esquematizado de manipulação, já terei alcançado um grande objetivo.

Clayton Guimarães.

Crescer

Às vezes, precisamos fazer um balanço de nossas vidas, chacoalhar a frondosa árvore. Calcular conquistas, considerar perdas e replanejar. Ouvi algo esses dias que me fez pensar nisso. Ouvi dizer que descarto pessoas. Mas, na verdade, quando mudamos coisas de lugar, abrimos novos espaços e acabamos por nos livrar do que não usamos ou do que temos apenas por conveniência. E eu mudo bastante. E não aceito algumas coisas nessa nova perspectiva. E, como cansei de ser contundente demais, ignoro algumas coisas e algumas pessoas.
Sempre falamos em “o que ser quando crescer”, mas quando crescemos, muitas vezes nos perdemos e não sabemos mais quem somos ou o que nos tornamos. Mas a busca não pode parar. Nunca. Imagine-se há dez anos. Leia atitudes, erros, acertos... Se a maioria deles se repete, algo pode estar errado. Não confunda Displicência e irresponsabilidade com Personalidade. E a vida cobra duro. Se você continuar vivendo como um rockeiro adolescente dos anos 90 nas rodas da vida, irá acabar em situações em que olhará ao redor e só verá copos vazios, garotas sem reflexo e uma enorme Larica. Porque todo homem precisa construir coisas... Uma casa, uma máquina, um lar... Todo homem precisa conquistar coisas... Uma mulher, um emprego, uma carreira, um coração...
Mas enquanto se depende de outras pessoas para organizar, administrar e instituir valores, sempre estará à margem do que quer dizer a palavra HOMEM em seu sentido pleno. Os anos errando e acertando me ensinaram que enquanto eu quiser agir como adolescente, jamais galgarei posto de homem. Nesse ínterim, já não sou eu quem descarto pessoas, elas é que já não se enquadram mais na minha realidade, e como já não têm tanto espaço, acabam tornando-se obsoletas e descartáveis para dar lugar a pessoas e coisas mais úteis.

Clayton Guimarães.

domingo, 25 de novembro de 2012

Constante



Do pôr de um sol que não raiou
A semente que não germinou.
Remoendo fraquezas e acreditando.
Tantas incertezas, mais certa tristeza.

Como das ondas, ressaca, você vem e volta
E, mesmo não sendo rocha, constante.
O intermitente bate e choca
Enfraquece a linha tênue da sanidade

Em um segundo inteiro me lembro de você
E sonho com a eternidade de tudo de que não esqueci
E que vivemos, intensamente, com toda a vida
Mas agora não passam de escombros na memória.

Clayton Guimarães

Liberdade


Não sei se finjo ser romântico
Ou se me permito ser erótico
Meu discurso tão cético, tão cínico
Real... É o que sinto sem diagnóstico.

Essas rimas, esses metros, esses versos
Aprisionando minha filosofia simplória.
Definindo, explicando, explanando, limitando
O que eu quis que fosse Nuvem.

Palavras que não posso medir,
Sensações que não posso expressar
Decassílabos loucos que nunca contei.

Chegando ao fim do Soneto
Do Poema ou coisa tal,
Sinto-me ainda mais Livre do que normal.

Clayton Guimarães

sábado, 3 de novembro de 2012

Infinito

E o que é você sem mim?
Sentimentos coloridos,
Cheiros de Jasmim.
E doce.
Como a brisa.
E leve. Me leve.
E não me deixe.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Mistos.Mesclados. Riscados.
Em uma folha em branco.
Num banco sem graça.
De alguma Praça.
Em tempos de Primavera.
Quimera.
Flores e insetos coloridos.
Desinibidos.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Caracol.
Abelha.
Amarelos sóis.
Coração aquecido.
Nós.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Cada tom. Tão bom.
O gosto bom do seu batom.
Então?
O fim.
Sim. Assim:
Eu sem você e você sem mim.
Ou o que restou de nós?!
Eu sem você e você sem mim.
Sim.
Assim: O fim.
Então?
O gosto bom do seu batom.
Tão bom. Cada tom.
Cada sorriso, cada gesto simples, cada som.
Fração.
Fragmento.
Daquele momento.
Coração aquecido.
Nós.
Abelha.
Amarelos sóis.
Caracol.
Nuvens brancas e pôr do sol.
Desinibidos.
Flores e insetos coloridos.
Quimera.
Em tempos de Primavera.
De alguma Praça.
Sem graça.
Num banco.
Em uma folha em branco.
Mistos.
Mesclados.
Riscados.
Feixes coloridos de sentimentos misturados.
Me leve.
E não me deixe.
E leve. Como a brisa.
E doce.
Cheiros de Jasmim Sentimentos coloridos.
E o que é você sem mim?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Perspectiva

Não pretendo ser notado, quero apenas nunca ser esquecido. Quero cantar minhas ideias pelas ruas e libertar meu coração. Quero ler a vida simples. O casal de namorados no frio, a vida eterna na espera do sinal abrir. As crianças uniformizadas. Os carros novos, velhos, abertos, fechados, grandes... pequenas fortalezas móveis. Quero capturar esse recorte de presente e registrá-lo antes que se torne ontem, eternizá-lo em prosa e verso. A topada no meio fio, a pedra no meio do caminho, o palavrão, os santinhos e os candidatos: "Não, obrigado!". E lembrar de algo e rir sozinho, lembrar de uma voz e sentir o coração disparar, lembrar uma canção e perceber que é a nossa história que ela conta... Lembrar de uma mulher, da inocência e de uma poesia... condensar tudo em uma memória escondida nos escombros da realidade que desconstruo... E depois de cantar, e ler, e capturar e lembrar coisas, enfim, construir pensamentos. Sentir a vida a cada instante e não permitir que passe desapercebida. Confeccionar cada segundo com o improviso despretensioso de alguém que sabe exatamente como não se ocupar do que ainda não aconteceu. Imprecisar fatos, desnecessitar de scripts, inimitar moldes e desidentificar meus atos. Não ter compromisso com estereótipos, nem ser escravo de um rótulo. Não sou poeta, não faço parte da História, eu escrevo estórias. Não me encaixo em nenhum movimento e não sigo tendências. Não quero nem ser lembrado. Quero apenas nunca ser esquecido. Não defino nem defendo teses, eu sirvo à Felicidade e prezo a Liberdade. Escrevo minhas páginas, movimentos pensamentos e gero atitudes. Crio minha realidade, o meu estilo. E é só isso que quero. Ser Livre pra continuar criando a cada dia meu hoje e, sem layouts, esperar o momento exato para escrever o episódio seguinte. Sem continuações, uma fotografia única de existir. Como a paisagem que passa borrada na janela do automóvel. Ela está lá: ESTÁTICA, mas a vemos passar a 80Km/h. Clayton Guimarães.

No Mercado

Sinto vontade dos tempos da Adolescência, Quando sentia saudades da maioridade que não vinha... De me esconder nos dias despreocupados de verão, ou de quando a timidez e a insegurança tornavam a vida mais emocionante. Quando a rejeição me ensinava a aprimorar minhas técnicas de conquista. Quando as conquistas valiam mais e toques significavam sonhos e beijos eram o prêmio máximo... Quando olhares falavam e sorrisos respondiam e palavras nem precisavam ser ditas... Quando cheiros entorpeciam almas e timbres de voz aceleravam o coração. Nostalgia de toda aquela imprevisibilidade, da inconstância, da miscelânea de sensações, da expectativa que acaba esmaecendo com o tempo... E agora, que sei conquistar, que domino meus sentimentos (e, talvez, os alheios), agora que manipulo palavras e provoco sensações, agora que arranco suspiros, agora que planejo toques, elaboro beijos, direciono olhares e meço sorrisos, Já não valem tanto assim as conquistas... E, na maioria das vezes, sequer me permito ser conquistado: A Arte é minha. E isso Condiciona minha Nobre (ou pobre) alma ao frio da solidão. Não de condição, mas de estado: fria, mórbida... Nesse monólogo de mim mesmo para um EU, que de Lírico tudo já perdeu, percebo essa solidão e comemoro a consciência de que estou só. Não porque não haja alguém, mas porque ninguém se enquadra nessa minha moldura disforme de estar só. E os quadros de rostos que pinto das pessoas que sonhava que me fizessem feliz amontoam-se em pilhas de rascunhos imperfeitos e telas de relacionamentos interrompidos, inacabados pela urgência de qualquer coisa menos importante a que demos maior atenção. Decido parar por aqui pra observar pessoas. Sentado em um banco de Mercado em Copacabana, esperando meu Gerente chegar. Escrevo em meu velho caderno, de folhas recicladas,palavras repetidas de algo que já quis dizer. Se falaram de amor, hoje clamam por ele, se já desenharam sentimentos, hoje rabiscam expectativas. Esse, então, sou EU depois dos tantos ELAS que não se perpetuaram como NÓS. Mas eu sigo acreditando... Clayton Guimarães

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Escolha

Vejo a linha do horizonte se aproximando velozmente. O futuro começou. Não tenho dúvidas e um sorriso aberto suaviza as marcas no meu rosto. Finalmente, tudo faz sentido. Um ciclo se rompeu, moveram-se as estrelas em alguma Galáxia. Cadente, minha soberba desaparece pra dar lugar à sede de um conhecimento há muito desejado. As coisas sempre se ajeitam após a tempestade. Após o terremoto todas as coisas encontram seus lugares. As flores renascem, brotam dos escombros de um passado revolvido. Não sei ao certo quanto tempo levará o coração pra esquecer, mas o cérebro já busca toda aquela história como lembrança... nunca como esperança... As portas se abrem pra um novo começo, em direção oposta. Uma reavaliação acusa um novo Homem que nasce da responsabilidade. Que grita. Grita meu nome e aponta algumas escolhas. Finalmente, e só então, decido entender que o que acabou, acabou. A perda é incalculável... Momentos, palavras, gestos atitudes, pessoas... vidas. Uma vida. Mas quando algo morre, dá lugar à coisas vivas que nos dão novos motivos pra continuar. E é isso o que enxergo hoje: coisas vivas substituindo coisas mortas que me matavam enquanto morriam. Tanto tempo divagando e já não vejo o horizonte: coisas grandes elevam-se à minha frente... Construções e coisas a construir... E sinto força em meus braços novamente. Clayton Guimarães

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cartazista da Zona Sul (2009)

Hoje, meu nobre coração bate descompassado. Algum motivo, do qual não me recordo precisamente, me faz olhar essa manhã com olhos diferentes. Não posso distinguir imagens ou figuras, apenas fragmentos de instantes inesquecíveis pelos quais passei. Queria conversar, tocar umas canções da Legião, sentir o vento soprar pra longe nossas letras e perpetuar também esse momento. Aqui, sentado nesta sala do meu trabalho escrevendo coisas das quais meu coração transborda, sinto saudade. E saudade só tem significado pra quem sente, só tem sentido pra nós. Tentei escrever planos e traçar metas, mas estou vivendo mais esse momento como sempre encarei a vida: Fazendo acontecer. Sem regras nem leis. Transformando cada instante em uma nova oportunidade de acertar, ainda que eu erre.

Olhos Cor-de-mar (2009)

Pela transparência da tua personalidade eu tento... tento e não consigo desvendar os mistérios desse olhar bravio como o mar, nebuloso como o céu e Azul... E o que vejo me confunde e me pergunto por que algo que estão tão próximo que quase posso tocar o cheiro me parece tão inalcançável... Ah se fosse tão simples...

sábado, 28 de abril de 2012

PISCIANO

Não sou de acreditar em regência astral, nem em ascendentes a blá blá blá... Mas convenhamos que as características têm um quê mágico de verdade... O meu, por exemplo, é PEIXES. Pisciano. Talvez não existam mais homens como os piscianos. Gentil, cavalheiro e sempre muito solícito, você terá contato com um homem calmo e tranqüilo, capaz de conquistar e envolver qualquer pessoa, mesmo não sendo o tipo viril e arrebatador. Com seu charme indecifrável, consegue encantar as mulheres com aquele olhar perdido e meio vago, olhando o infinito com os olhos arregalados. Ótimo companheiro, se comove com facilidade, e você poderá ver um pisciano com os olhos rasos dágua quando encontra um velho e querido amigo, quando vê um filme cheio de emoção, como E.T., ou uma propaganda de televisão cheia de sentimento. O mundo das imagens é muito rico, e ele vê um fato qualquer e se remete ao passado e sente... sente novamente as mesmas emoções. Não é difícil ver um pisciano parar de fazer uma tarefa e literalmente viajar. É... e ele faz isso muitas vezes. Em um bate papo ele começa a devanear e viaja na maionese pela Hellmans Airlines. Ele é envolvente, e parece que aumenta seu campo magnético cobrindo a pessoa, que também sente... sente algo meio mágico, principalmente quando ele olha em seus olhos. Seu jeito delicado e refinado de ser costuma provocar paixões que só uma Julieta pode ter sentido. Um verdadeiro Romeu, meio adolescente e sempre pensando no mundo e na vida. Ele não costuma abordar as mulheres, mas dá chance a elas de se aproximarem e serem envolvidas por ele e seu perfume. Claro que um ser tão romântico e distante ao mesmo tempo pode de repente desligar, mas se estiver realmente interessado, vai estar cada vez mais constante, vivendo o que Vinícius de Moraes qualificou de amor que é chama e que será eterno enquanto dure. Ah... pessoal romântico. Será que existem? De repente não. É só um sonho... uma imagem. Um pisciano. No amor, é o mais lítico e romântico de todos os signos, aquele que dá a vida por quem ama, que se compraz até na dor porque assim quem sabe alcança essa dimensão maior da vida invisível. Peixes deseja tão somente o encontro de almas, mais nada lhe serve e não menos exige. Se contrariado, chora e comove, ao ponto de se tornar a vítima que consegue o que quer graças ao seu poder de sedução, charme e mistério, que exibe sem querer. Por ser romântico, mas instável como o oceano, curioso e explorador, pode não se adaptar muito bem à vida do casamento, mas sua sensualidade e sexualidade, com fortes cargas românticas, o torna um dos amantes mais devotados a quem ama e à sua prole. Sexualidade Homem- O homem de Peixes é romântico, compassivo e cheio de meandros. Este é um homem inclinado a fantasiar no sexo, e você irá precisar de uma dose extra de imaginação e muito jogo de luz e sombra para que ele ache algum mistério interessante em você. O que acende o homem deste signo é o ritmo corporal; a música e a dança são, portanto, elementos essenciais da sua conquista. Perfumes, idem. Inebriado com cheiros exóticos, embalado por ritmos longínquos, ele se inspira e se derreterá por você. Comande um pouco a cena, para que ele se sinta fluir no infinito dos seus braços; ele pode se distrair com outros temas se você se mostrar direta ou agressiva demais. Ele precisa de aconchego e compreensão. Evite criticá-lo ou ter conversas racionais demais porque isso tira todo o seu tesão. Atenção especial aos seus pés e à barriguinha: muitas massagens o levarão ao delírio.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Minha Princesa

Sou uma pessoa melhor. Com você aqui, tudo está diferente. Todas as cores, cheiros e sensações mudaram, se suavizaram e se tornaram proporcionalmente mais intensas. Depois que você chegou, eu melhorei, evoluí... E você nem sabe o quanto me faz querer ser melhor... O quanto eu tenho vontade de retribuir os sorrisos bobos que você me faz sorrir por causa de pequenas coisas, o quanto desejo ser para você o que você já é para mim: uma pessoa inesquecível. O Amor da minha vida.
Tudo o que senti, o que passei o que vivi já não faz mais tanto sentido. É como se, ao chegar, você transformasse cada parte de mim... Cada memória fosse substituída pela imagem doce do seu sorriso e cada música do passado fosse atenuada pelo som angelical da sua voz. Você é o marco divisor da minha história e tudo agora se resume no que eu fui antes de você e o que sou agora. Nada é fácil, nada é certo... Temos um mundo de razões que constroem muros invisíveis, contudo, não menos intransponíveis para que fiquemos juntos. Mas o sentimento que nos move, a força que nos une é ainda mais avassaladora... Que nos faz acreditar em nós, que podemos ser felizes apesar de todos os contras.
Nessa carta que escrevo pra você, na qual eu leio a minha alma e descrevo o meu coração, tento desenhar a cena do nosso romance imperfeito. Tento registrar tal como o pintor em sua tela aprisiona um instante para libertar o pensamento, tento capturar seu sorriso com covinhas, sua voz meiga e seu jeitinho primaveril para que nos lembremos de todas as dificuldades que tivemos antes de conseguirmos realizar nosso maior sonho. Te amo, menina. Te amo como jamais amei alguém em minha vida. Te amo como jamais poderei amar novamente. E, tomara, não seja necessário e que seja você a última pessoa pela qual me apaixonei e pela qual irei me apaixonar novamente todos os dias para o resto de nossas vidas.
Assim, termino não com ponto, mas com reticências, pois não sei se algum dia mesmo com todas as palavras que já aprendi, as que usei ou mesmo as que inventei, serei capaz de descrever todo o amor que sinto por você, minha pequena. Eu Amo Você.


Clayton Guimarães

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

"- Bem vindo, Amor!" - Amizade.

Engraçado como as coisas mudam, as cores mudam, os cheiros mudam e mais curioso ainda: como as pessoas mudam. Olhando janelas recortadas de momentos bons do passado, me encontrei sorrindo, cabeludo, abraçando e sendo abraçado em alguma praia, em algum de nossos muitos acampamentos por aí.
De algumas fotos, eu quase posso tocar as sensações que vivi na época, o motivo do largo sorriso e a sinceridade de cada abraço que dei ou recebi. Mas não sei quando, em algum ponto que deixei passar despercebido, as coisas mudaram. Não sei como, nem sei se mudaram para melhor ou pior, o que sei é que sinto uma ausência daquela essência que perfumava aqueles dias das fotos.
Eu sabia que a responsabilidade bateria à minha porta tão logo os anos se passassem e trouxessem consigo as preocupações e os deveres mais exigentes. Sabia também que de tudo o que vivemos tudo o que sempre resta no coador é a amizade que nutrimos desde sempre. A lealdade e a cumplicidade de tantos momentos, tantas intempéries da vida, os momentos difíceis, as diferenças, as semelhanças, as dúvidas, as dívidas, as mudanças de humor e os crimes que sabemos que cometemos, mas que jamais nos atreveríamos a comentar. Eu sabia que, quando um de nós fosse encontrado pelo “indesejado da razão”, algo iria acontecer, só não sabia qual seria a reação produzida. E, ainda agora, eu não sei. Sei que houve uma mudança de prioridades, e isso eu entendo. Mas algo mais mudou e não foi algo que podemos explicar. O que mudou foram os cheiros, o clima, as palavras... E agora, uma distância começa a se alargar à medida que novas sensações são experimentadas.
Quando se alia a uma pessoa pela proximidade de assuntos sobre os quais partilham a mesma opinião é fácil definir porque são aliados. Mas quando uma das partes percebe que, por algum motivo suas convicções não são mais as mesmas (e ninguém deve ter compromisso com o erro) e a outra continua firme, já não há uma sintonia. Em se tratando dele, o “paradoxo dos sentidos”, nada mais faz sentido quando ele chega, invade a casa e senta com os pés calçados em cima da mesinha de centro. Agora é ele quem manda, quem dita as regras, quem comanda as atitudes. E assim, resta à outra parte resignar-se em sua convicção e seu respeito pela outra parte e buscar uma nova direção para seus passos. É a coisa certa a se fazer, mas sempre fica (não sejamos hipócritas: sempre fica!) a sensação de perda. Não seria egoísmo, nem ciúmes, mas, politicamente falando, a causa perde força. E a única certeza de que temos, a de que a amizade sempre permanece intacta, indestrutível, indelével em corações e mentes, fica condicionada aos desejos do “Senhor das emoções”.
E essa é a minha impressão sobre o que aconteceu. Não culpo o “Divisor de prioridades”, nem os efeitos que ele causa, mas as atitudes com as quais se age acreditando-se piamente que nada mudou e que tudo sempre será como antes e que cada um tem sem espaço. O Amor chegou. Damos a ele as boas vindas e saiamos de fininho. As pessoas permanecem iguais, mas alguma coisa mudou. Não só os cheiros, o clima ou as palavras. Como eu disse: algo que não se pode tocar. As atitudes mudaram.

Clayton Guimarães.