Meus chegados

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Fazer Amor – I


Olho pra ela, assim: tão minha. Sonhei tantas vezes com a cor do seu corpo nu. Com as partes que nem sol nem olhar algum jamais tocara. E agora, esse tremor. Esse calafrio e a sensação de estar à beira de um abismo. Afrouxo meu abraço e fito seu rosto enrubescido. Não distingo muito bem o que seus olhos dizem, mas há uma expectativa... Um encorajamento. Eu a afasto um pouco mais e lhe beijo. Um beijo doce de amor, suave, inebriante. Um longo e vicioso beijo apaixonado que dá permissão... Que prenuncia o inevitável... Não hesitamos. Queremos.
Levemente, como o dançar de uma brisa outonal, vou despindo seu corpo como às pétalas de um bem me quer. Descobrindo seus contornos, a pureza da tua pele e cada canto oculto da sua timidez. A pele do colo que vai clareando quanto mais próximas aos seios medianos... Perfeitos... O contrair do ventre com o meu respirar... O ventre quase intocável... Úmido... Exalando o que realmente está sentindo... O cheiro agridoce do seu sexo... Não há mais volta.
Exploro cada suave parte do seu corpo descobrindo prazeres que, sinto foram guardados para esse momento. Estou dentro. Uno-me a ela por esse momento mágico em que corpos se tocam e almas se fundem. Não há palavras, apenas suspiros e a ofegante certeza de que um completa o outro. Enquanto atuamos uma dança ondulante de amor, beijo seu corpo, tateio, como que para gravar mnemonicamente cada som... Cada cheiro... Cada tom... Cada sensação... Seu rosto tímido... Os seios em minhas mãos... A força ritmada... A intensidade... O prazer. A voz fraqueja. O corpo vibra. Os olhos se perdem em outra dimensão. Ápice.
Olho pra janela, ainda junto dela. Sinto o calor do seu corpo no meu. A escuridão da madrugada é testemunha do nosso segredo, dos gemidos sufocados, do que fizemos. Acaricio seus cabelos e os arranjo atrás da orelha. Beijo suavemente sua testa... Os olhos... E me demoro em seus lábios rosados. Sussurramos em uníssono e dormimos abraçados.

Clayton Guimarães

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