Meus chegados

domingo, 13 de janeiro de 2013

Pleonasmo repetido e redundante



Quando me distraio e consigo me concentrar em qualquer outra coisa, e já penso que dobrou a esquina, lá vem ela. Voltando. De novo. Num pleonasmo absurdo no qual redundam platonicamente meus desejos. E lá vem ela. Trazendo a mania de ser irresistivelmente espontânea, livre, arredia. Carregando a beleza de uma flor que não deve ser colhida. Uma rosa selvagem cuja beleza estará para sempre em minha memória, ainda que jamais a possua.
O que é meu e o que nunca terei por posse: o charmoso caminhar, os risos soltos. Os olhares vadios, perdidos n’alguma paisagem. A dança das mãos quando fala, as tardes e as noites à toa. E, por que não, a conversa fiada, revelando segredos, escondendo trapaças, compartilhando remorsos. A mesa e os copos. Embaralhando palavras que falam de amor e descrevem corpos. A mistura de bebidas quentes com frias alegrias. Colhendo ressacas de olheiras no espelho de teto refletindo camas redondas.
É assim que te tenho e te quero e jamais te terei por completo. A não ser na lembrança. E no desejo. Fecho os olhos um pouco mais e, nesse devaneio onírico, deixo os raios de sol banhar-te o corpo nu. Pintá-lo com a cor da manhã alaranjada. Eternizo-te em minha mente. Fantástica. Surreal. Como parte natural dos meus dias.

Clayton Guimarães

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